quarta-feira, 26 de março de 2014

Prolegômenos - Crônicas Sobre o Apocalipse

“A este mundo, antes da conflagração universal advirão tantos dilúvios e tão grandes inundações, que mal haverá alguma porção de terra que não ficará coberta pelas águas, e isso será por tão longo tempo, que com exceção das etnografias e topografias, tudo o mais perecerá.
Também, antes e depois dessas inundações, em várias regiões as chuvas serão tão poucas, e cairá do céu tão grande abundância de fogo e de pedras candentes, que não ficará nada que não seja consumido. Tais coisas acontecerão um pouco antes da última conflagração”. 
Michel de Nostradamus

"Virá, entretanto, como o ladrão, o Dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas."
2 Pedro 3:10



CAOS!
   

Terra – ano 2.227 A.D.


   Por semanas, após infrutíferas negociações dos principais países do orbe terrestre, finalmente o ódio, a intolerância, o preconceito e a ambição vencem, e tem início a maior das hecatombes planetárias do universo.

Capitaneados por uma política excludente e mesquinha, os blocos 
geopolíticos das nações de todos os pontos do mundo, propugnavam por seu inexorável direito a submissão, expropriação e escravização de seus vizinhos humanos.
    Cegos pelo orgulho e pela vaidade preferiram então medir forças em detrimento da paz e do bem estar da humanidade; e o que veio a seguir, foi a falência dos seres humanos enquanto animais supostamente  racionais e dotados de alguma sensibilidade.
    Quarenta e seis dias! Foi o tempo que restou às sociedades humanas! “Vae soli, vae victis!” – Ai dos solitários, ai dos vencidos! Milhões e milhões de seres humanos tombaram por todos os continentes; homens, mulheres, crianças e velhos; os poucos animais que ainda existiam; as raras florestas e bosques – naturais ou não; tudo o que fosse vivo, sucumbia ante as novas tecnologias de destruição em massa.

E por fim, o ato final – Acta est fabula, “a peça terminou”! No quadragésimo sexto dia, o golpe de misericórdia! Ogivas atômicas, bombas de hidrogênio e termonucleares singraram os céus de norte a sul, de leste a oeste atingindo todo o planeta.



     Prédios inteiros ruíam como castelos de cartas ou peças de dominó; vidros estilhaçavam em milhares de cacos formando prismas multicoloridos e mortais; estruturas de ferro e aço incandescentes derretiam como manteiga ante os potentíssimos projéteis. O som era aterrador! Além das explosões homéricas, provocando visões dantescas, não imaginadas nem pelo poeta florentino, o silvo dos mísseis e ogivas nucleares lembravam o canto das sereias mitológicas, prontas a levar os homens para a perdição!

E no meio deste caos, os homens se desintegravam ante o calor incomensurável das bombas termonucleares; os que não capitulavam diante de tal revés, morriam estraçalhados ou esmagados pela força devastadora das outras armas de extermínio – “Ali haverá choro e ranger de dentes!”.
    E então, quarenta e seis dias após o início da peleja global, o que se via era tão somente pedras, poeira e ferros retorcidos; casualmente, aqui ou acolá, uma estrutura em frangalhos, que resistira aos ataques. O céu, outrora azul e límpido, agora se mostra cinza e pesado, como se vivesse sempre o ocaso; após as últimas bombas, os sons que animam o planeta são somente de sirenes insistentes e vãs, pequenas explosões em locais isolados e o farfalhar da chuva fina e ácida que castiga algum eventual ser vivo que tenha ousado sobreviver a esta tragédia!

     Devido às espessas nuvens que obstrui a passagem salutar dos raios solares, o clima resfria-se drasticamente e em poucos dias grossa camada de neve acumula-se no solo estéril e carbonizado  do planeta. Não se pode ver mais nada verde, vermelho ou amarelo sobre a superfície terrestre; aliás, não se pode ver mais nada que não seja negro ou cinza. O antigo “Planeta Azul” de Gagarin, agora parece ser somente uma fotografia antiga e cinzenta de um velho e decadente cemitério!




Nenhum comentário:

Postar um comentário