M. Nostradamus em, ad Coesarum Nostradamum Filium - À César Nostradamus, meu filho
Mês VI - Desolação!
"Chassez le naturel, il revient au galop"*
(Destiuches)
Os seis primeiros meses após a tragédia planetária foram bastante duros para os poucos sobreviventes do orbe terrestre. O que restou daquilo que um dia fora chamada de "Humanidade", se arrastava aqui e ali, claudicante, buscando desesperadamente meios para continuarem sua miserável existência. A busca por água, e principalmente por alimentos, era a principal atividades destes párias humanos.
Nos grandes centros, os poucos supermercados que não foram dizimados pela imbecilidade do ser humano, foram instantaneamente saqueados pela turba esfaimada; uma multidão de homens e mulheres, tal como "mortos-vivos", aos bandos, destruíam, pilhavam e comiam tudo em questão de minutos! Raramente crianças e velhos, doentes e aleijados obtinham algum quinhão deste festim diabólico. Nos campos, nas áreas rurais e comunidades agrícolas, a situação também eram deveras desesperadoras! As lavouras que não foram incineradas pelas inúmeras ogivas nucleares, ou envenenadas pelas mais atrozes armas químicas, simplesmente foram queimadas pela truculenta e atoleimada soldadesca de aliados e rivais, que desta forma, evitavam o abastecimento das tropas contrárias - como se os próprios não estivessem também sujeitos à inexorável necessidade da alimentação! As criações de animais para o abate já não existiam a alguns meses; e os animais domésticos e mesmo aqueles denominados como nocivos à saúde pública, ou morreram com o rigor das bombas ou pereceram ante a fome dos homens.
Assim, após a imolação das guerras e das pestes, a fome foi a principal aliada de Caronte no extermínio dos menos afortunados e sua condução ao Hades! E o cenário que se apresentava nos proscênios da Terra eram os mais soturnos possíveis; o planeta, se convertendo rapidamente numa imensa Sibéria, com temperaturas cada vez menores, abaixo de um céu sempre cinzento e ameaçador das cúmulos-nimbos, não davam a menor indicação de que o sol, triunfante, resplandeceria novamente no firmamento.
E aos homens, atônitos e descrentes, bestializados, outro recurso não tinham, além de lutar pela sobrevivência neste ambiente inóspito e orar aos seus antigos e preteridos deuses, afim de esperarem por dias melhores...
*Expulsai a natureza, ela volta a galope.



Nenhum comentário:
Postar um comentário